Expectativas para o mercado de Transição de Cuidados em 2024

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*Peer Buergin e Rodrigo Rodrigues

O mercado de Transição de Cuidados tem se mostrado cada vez mais relevante e promissor, uma vez que traz um olhar inovador para a saúde e o bem-estar dos pacientes, assim como para os segmentos da cadeia de serviços.

Apesar do crescimento significativo nos últimos anos, ainda há o desafio de promover este conceito no sistema de saúde. O mercado brasileiro é considerado incipiente, uma vez que as primeiras unidades começaram a surgir por volta do ano 2000. Ao comparar com países e continentes mais desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Europa, a abordagem é muito nova. O fato é que há um grande potencial de expansão.

Aqui vale uma importante análise. Tanto nos Estados Unidos quanto na Europa os hospitais de Transição de Cuidados são conhecidos por oferecer cuidados pós-agudos ou “post-acute care”, que incluem serviços de reabilitação após a estadia em hospitais gerais ou de cuidados intensivos, além de terapias ambulatoriais ou cuidados prestados em casa. Como o sistema de saúde nessas duas localidades são totalmente distintos do brasileiro, não é possível comparar numericamente, mas podemos afirmar a sua importância.    

Segundo a Abrahct, Associação Brasileira de Hospitais e Clínicas de Transição (2021), em países como Alemanha e Canadá, os sistemas de saúde possuem mais de 200 leitos de transição para cada 1.000 leitos de cuidados agudos, e nos Estados Unidos há uma proporção de 1.800 leitos de transição para cada 1.000 leitos de cuidados agudos. Já no Brasil, o número é de 14 leitos de transição para 1.000 de cuidados agudos.

Ainda falta disseminar o conceito no mercado

O conceito de Transição de Cuidados está inserido no sistema de saúde (prevenção terciária), no qual o paciente recebe tratamento para o quadro agudo e o retorno ao lar. A recomendação para esse tipo de hospital fica por conta de pacientes que precisam diminuir sua complexidade clínica, mas ainda necessitam de cuidados especializados e reabilitação antes de poderem retornar para suas casas.

Cada vez mais o modelo de Transição de Cuidados se faz necessário, uma vez que trabalha inserido no sistema de saúde, atendendo pacientes em processo de reabilitação, geralmente após uma internação hospitalar por doenças agudas ou cirurgias, além de cuidados paliativos, cuidados continuados e finitude.

Vale destacar que é fundamental, no curto e médio prazo, disseminar esse conceito de abordagem ao mercado sobre os benefícios da Transição de Cuidados. Inclusive, a família, as operadoras de saúde e os médicos têm um importante papel neste sentido.

Os hospitais de Transição de Cuidados também seguem as dimensões do Institute of Medicine (IOM), que são assistência focada no paciente; prover assistência no tempo adequado; eficiência; equidade; efetividade; e segurança do paciente. E, ainda, os princípios do cuidado centrado no paciente: Respeito pelos valores, preferências e necessidades dos pacientes; coordenação e integração do cuidado; informação e educação; conforto físico; auxílio emocional e alívio do medo e ansiedade; envolvimento de familiares e amigos; continuidade e transação; e acesso ao cuidado. Afinal, o serviço contribui, de fato, para a melhora do desfecho dos pacientes e reduz os custos da saúde.

Outra questão importante é o fato da previsibilidade da conta, com uma diária global que inclui a maioria dos serviços e produtos necessários, o que proporciona uma maior transparência financeira para a fonte pagadora, seja ela o plano de saúde ou os pacientes e suas famílias. Além disso, o tempo de permanência do paciente na instituição é definido, e o objetivo final é a alta e o retorno para casa.

Para o futuro, a expectativa é que o mercado de transição de cuidados continue crescendo e se consolidando. Percebemos que o setor está empenhado em divulgar o conceito e expandir suas operações com um crescimento da ordem de 15%, em todo o país.

Com a chegada de novas unidades de transição e ampliação de outras já existentes, o mercado se torna bastante promissor.

 *Peer Buergin, CEO da YUNA, e Rodrigo Rodrigues, Diretor de Relacionamentos da instituição especializada em reabilitação e transição de cuidados paliativos e continuados

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