Futuro da bariátrica: bipartição intestinal avança no tratamento de obesidade grave e diabetes tipo 2

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Enquanto as canetas emagrecedoras ganham espaço no país, técnica cirúrgica estimula hormônios semelhantes e é indicada para quadros graves e de difícil controle metabólico

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de um quarto da população adulta brasileira já vive com obesidade, e mais da metade está acima do peso. O cenário ajuda a explicar a crescente procura por medicamentos injetáveis para emagrecimento, como a semaglutida e a liraglutida, princípios ativos originalmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e que passaram a ser utilizados também no manejo da obesidade. 

As popularmente chamadas canetas emagrecedoras despertam a atenção pela sua ação rápida e quase sem esforço na perda de peso por meio da ação hormonal no organismo, com a regulação da saciedade e metabolismo. Mas, em casos mais graves de obesidade e diabetes, os pacientes precisam recorrer a outro tipo de tratamento, como cirurgia de bipartição intestinal, que tem efeito semelhante ao da medicação.

De acordo com o médico Pedro Henrique Caron, cirurgião do aparelho digestivo e nutrólogo do HAC, trata-se de uma técnica de cirurgia bariátrica e metabólica, que promove um desvio intestinal e aumenta a liberação de hormônios. “É um procedimento que tem foco metabólico, especialmente no controle do diabetes tipo 2 e não apenas na perda de peso”, destaca o médico do Hospital Angelina Caron (HAC). “A cirurgia pode, até mesmo, ser associada ao uso das chamadas canetas, conforme decisão médica”, completa.

Como funciona

O especialista explica que existem três tipos do procedimento desenvolvido pelo cirurgião Nilton Kawahara, que já promoveu tratamentos junto à equipe do HAC. São elas: a bipartição clássica, que envolve a realização de uma retirada de cerca de 80% do estômago, com comunicação direta entre estômago e íleo, mantendo também o trajeto natural do alimento; a duodenal, semelhante à anterior, mas com a conexão feita no duodeno; e a jejunal, desenvolvida em 2025, que realiza duas conexões no intestino, promovendo dupla estimulação ileal, sem comunicação direta com estômago ou duodeno.

Caron reforça que a bipartição jejunal reduz riscos de estenose e complicações gástricas, além de diminuir a probabilidade de deficiências de vitaminas e minerais. “É uma excelente alternativa para o paciente que busca melhora importante do diabetes, mas tem receio de deficiências nutricionais”, explica.

Para quem é indicada

A cirurgia é indicada principalmente para pacientes com diabetes tipo 2 de difícil controle, inclusive insulinodependentes, pessoas com complicações associadas ao diabetes, como retinopatia, insuficiência renal ou problemas vasculares, casos de superobesidade (IMC acima de 50) e pacientes que já realizaram outras cirurgias bariátricas e apresentaram reganho de peso ou persistência do diabetes (cirurgias revisionais).

Mais do que um procedimento para emagrecimento, o foco é metabólico. “A grande maioria dos pacientes que busca a bipartição está procurando melhora metabólica. É aquele paciente que já está cansado de usar muita medicação e de não conseguir controlar o açúcar no sangue”, afirma o médico.

Procedimento exige equipe experiente

Por se tratar de uma técnica mais complexa, com tempo cirúrgico que pode chegar a três horas, a bipartição intestinal exige experiência avançada em cirurgia bariátrica e no manejo clínico do diabetes. “Ela exige grande experiência, tanto técnica quanto no acompanhamento metabólico do paciente”, alerta.

O procedimento é preferencialmente realizado por cirurgia robótica, tecnologia que contribui para maior precisão e recuperação mais confortável. O Hospital Angelina Caron é referência em cirurgia robótica no Paraná e integra protocolo de estudo multicêntrico para avaliação da técnica mais recente de bipartição jejunal.

Para Caron, o futuro do tratamento da obesidade passa pela integração entre terapias medicamentosas e cirúrgicas. “Eu acredito que a metabólica é o futuro da bariátrica. Cada vez mais vamos buscar técnicas que tratem o diabetes tipo 2 de forma mais eficaz, com segurança e individualização”, conclui.

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