{"id":5580,"date":"2026-03-26T16:38:27","date_gmt":"2026-03-26T19:38:27","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=5580"},"modified":"2026-03-26T16:38:27","modified_gmt":"2026-03-26T19:38:27","slug":"o-que-e-mito-e-o-que-e-verdade-sobre-a-esclerose-multipla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=5580","title":{"rendered":"O que \u00e9 mito e o que \u00e9 verdade sobre a esclerose m\u00faltipla"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Especialista explica como \u00e9 poss\u00edvel viver com a doen\u00e7a, manter a autonomia e planejar o futuro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A esclerose m\u00faltipla (EM) \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune e cr\u00f4nica que afeta o sistema nervoso central. Isso significa que o pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico passa a atacar a mielina, uma esp\u00e9cie de \u201ccapa protetora\u201d dos nervos, respons\u00e1vel por garantir que as mensagens do c\u00e9rebro cheguem corretamente ao corpo. Quando essa prote\u00e7\u00e3o \u00e9 danificada, podem surgir dificuldades de movimento, sensibilidade, equil\u00edbrio, vis\u00e3o e mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a <strong>esclerose m\u00faltipla atinge cerca de 2,8 milh\u00f5es de pessoas no mundo<\/strong>. <strong>No Brasil, a estimativa \u00e9 de mais de 40 mil casos diagnosticados<\/strong>, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Esclerose M\u00faltipla (ABEM). A EM \u00e9 majoritariamente diagnosticada em adultos jovens, entre 20 e 40 anos, e atinge mais mulheres do que homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem o tratamento adequado, a progress\u00e3o da doen\u00e7a pode levar \u00e0 perda de autonomia f\u00edsica e cognitiva, impactando a vida social, profissional e emocional do paciente.<br><br>A seguir, a neurologista Viviane Carvalho, membro da Academia Brasileira de Neurologia, esclarece mitos e verdades sobre a condi\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cH\u00e1 cura para esclerose m\u00faltipla\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MITO.<\/strong> Atualmente, a esclerose m\u00faltipla ainda n\u00e3o tem cura estabelecida. O que existe hoje s\u00e3o tratamentos capazes de controlar a atividade inflamat\u00f3ria da doen\u00e7a, reduzir a frequ\u00eancia de surtos, diminuir o aparecimento de novas les\u00f5es na resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e retardar a progress\u00e3o da incapacidade em muitos pacientes. Em outras palavras, ainda n\u00e3o falamos em cura, mas sim em controle da doen\u00e7a \u2014 o que j\u00e1 representa um avan\u00e7o importante. Em alguns casos, a resposta ao tratamento \u00e9 t\u00e3o positiva que a pessoa pode permanecer por longos per\u00edodos sem surtos, sem novas les\u00f5es e sem piora cl\u00ednica aparente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA esclerose m\u00faltipla \u00e9 dif\u00edcil de diagnosticar e costuma ser descoberta tardiamente\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VERDADE (com ressalvas).<\/strong> A esclerose m\u00faltipla pode ser desafiadora de diagnosticar, porque seus sintomas s\u00e3o variados e, muitas vezes, inespec\u00edficos. Altera\u00e7\u00f5es como vis\u00e3o turva, dorm\u00eancia, fraqueza, desequil\u00edbrio, fadiga ou problemas urin\u00e1rios podem ter diferentes causas, o que pode dificultar a identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Al\u00e9m disso, n\u00e3o existe um exame \u00fanico capaz de confirmar o diagn\u00f3stico. Ele \u00e9 feito a partir da combina\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria cl\u00ednica do paciente, exame neurol\u00f3gico, exames de imagem \u2014 como a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica \u2014 e, em alguns casos, an\u00e1lise do l\u00edquor e outros testes complementares.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, afirmar que a doen\u00e7a costuma ser descoberta tardiamente j\u00e1 n\u00e3o reflete totalmente a realidade atual. Com crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos mais refinados e maior acesso \u00e0 resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, muitos casos t\u00eam sido identificados mais precocemente. Ainda assim, atrasos no diagn\u00f3stico podem ocorrer, especialmente quando os sintomas iniciais s\u00e3o sutis, inespec\u00edficos ou confundidos com outras condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA progress\u00e3o da Esclerose M\u00faltipla \u00e9 inevit\u00e1vel e sempre r\u00e1pida\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MITO.<\/strong> A evolu\u00e7\u00e3o da esclerose m\u00faltipla \u00e9 bastante vari\u00e1vel e n\u00e3o ocorre da mesma forma em todos os pacientes. Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode afirmar que a piora seja sempre r\u00e1pida. H\u00e1 pessoas que permanecem por muitos anos com boa funcionalidade, especialmente quando o diagn\u00f3stico \u00e9 feito precocemente e o tratamento adequado \u00e9 iniciado de forma oportuna.<\/p>\n\n\n\n<p>A doen\u00e7a pode apresentar fases inflamat\u00f3rias mais evidentes, marcadas por surtos, ou formas progressivas, em que a piora ocorre de maneira mais lenta e gradual. O ponto central \u00e9 que a progress\u00e3o n\u00e3o segue um padr\u00e3o \u00fanico. Atualmente, o objetivo do tratamento \u00e9 justamente reduzir a progress\u00e3o da doen\u00e7a e retardar ao m\u00e1ximo o ac\u00famulo de incapacidade. Quanto antes iniciarmos o tratamento do paciente, melhores os resultados.<br><br><strong>\u201cO tratamento para Esclerose M\u00faltipla \u00e9 dif\u00edcil de seguir\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MITO.<\/strong> No passado, as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas eram mais limitadas e, em alguns casos, mais dif\u00edceis de incorporar \u00e0 rotina. Hoje, por\u00e9m, existem diversas alternativas de tratamento para a esclerose m\u00faltipla, incluindo medica\u00e7\u00f5es orais, inje\u00e7\u00f5es aplicadas sob a pele e medicamentos administrados diretamente na veia, o que permite maior individualiza\u00e7\u00e3o da terapia. Com orienta\u00e7\u00e3o adequada da equipe de sa\u00fade, em muitos casos ele pode ser integrado \u00e0 rotina do paciente de forma segura e vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA esclerose m\u00faltipla impede o paciente de manter uma rotina ativa e trabalhar\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MITO.<\/strong> Ter esclerose m\u00faltipla n\u00e3o significa, necessariamente, perder a vida ativa, a produtividade ou a capacidade de trabalhar. Muitas pessoas com a doen\u00e7a estudam, trabalham, praticam atividades f\u00edsicas e mant\u00eam uma rotina independente.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto da esclerose m\u00faltipla varia de acordo com fatores como o tipo da doen\u00e7a, o grau de atividade inflamat\u00f3ria, os sintomas predominantes, a resposta ao tratamento e as condi\u00e7\u00f5es do ambiente de trabalho. Em alguns casos, podem ser necess\u00e1rios ajustes, como flexibiliza\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio, pausas ao longo do dia, controle de temperatura, adapta\u00e7\u00f5es ergon\u00f4micas ou redu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria da carga de trabalho. Ainda assim, isso n\u00e3o significa que o trabalho se torne invi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma geral, a esclerose m\u00faltipla pode trazer desafios, mas frequentemente \u00e9 compat\u00edvel com uma vida ativa, especialmente quando h\u00e1 tratamento e acompanhamento adequados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cExiste mais de um tipo de esclerose m\u00faltipla\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>VERDADE. A esclerose m\u00faltipla n\u00e3o se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. Do ponto de vista cl\u00ednico, ela pode apresentar diferentes padr\u00f5es de evolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo e \u00e9 classificada em tr\u00eas tipos: a remitente-recorrente (EMRR), a prim\u00e1ria progressiva (EMPP) e a secund\u00e1ria progressiva (EMSP).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas categorias ajudam a compreender como a doen\u00e7a se manifesta e evolui em cada pessoa. Na pr\u00e1tica, essa classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, porque o tipo de curso cl\u00ednico pode influenciar o progn\u00f3stico, o acompanhamento m\u00e9dico e a escolha do tratamento. Al\u00e9m disso, os crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o da esclerose m\u00faltipla v\u00eam sendo aprimorados ao longo do tempo, refletindo a complexidade da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cQuem tem esclerose m\u00faltipla inevitavelmente perde a autonomia ao longo do tempo\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MITO.<\/strong> Esse \u00e9 um dos mitos mais prejudiciais sobre a doen\u00e7a, pois pode gerar medo e estigma. Embora a esclerose m\u00faltipla possa levar a algum grau de incapacidade em parte dos pacientes, n\u00e3o \u00e9 correto afirmar que a perda de autonomia seja inevit\u00e1vel. A evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 bastante heterog\u00eanea, e muitas pessoas mant\u00eam independ\u00eancia funcional por longos per\u00edodos, especialmente quando recebem diagn\u00f3stico precoce, acompanhamento regular e tratamento adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a autonomia n\u00e3o se resume apenas \u00e0 capacidade de caminhar. Aspectos como cogni\u00e7\u00e3o, fadiga, vis\u00e3o, destreza manual e o manejo adequado dos sintomas tamb\u00e9m influenciam a funcionalidade no dia a dia \u2014 e muitos desses fatores podem ser trabalhados com acompanhamento multidisciplinar, envolvendo profissionais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudi\u00f3logos, nutricionistas e psic\u00f3logos. Por isso, a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a deve sempre ser analisada de forma individual, e n\u00e3o como uma trajet\u00f3ria inevit\u00e1vel de incapacidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista explica como \u00e9 poss\u00edvel viver com a doen\u00e7a, manter a autonomia e planejar o futuro A esclerose m\u00faltipla (EM) \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune e cr\u00f4nica que afeta o sistema nervoso central. 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