{"id":5433,"date":"2026-01-29T11:44:00","date_gmt":"2026-01-29T14:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=5433"},"modified":"2026-01-29T19:13:55","modified_gmt":"2026-01-29T22:13:55","slug":"livro-os-carijo-vozes-da-terra-aborda-a-memoria-dos-povos-originarios-do-sul-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=5433","title":{"rendered":"Livro Os Carij\u00f3 Vozes da Terra aborda a mem\u00f3ria dos povos origin\u00e1rios do Sul do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">Primeiro volume da trilogia escrita pelo pesquisador Gleison Vieira re\u00fane pesquisa sobre a hist\u00f3ria dos Carij\u00f3 antes da coloniza\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo dia 3 de fevereiro, o pesquisador e escritor Gleison Vieira lan\u00e7a o segundo volume do livro Os Carij\u00f3 Vozes da Terra. Segundo o autor, a obra lan\u00e7a luz sobre os Carij\u00f3, na\u00e7\u00e3o guaran\u00edtica falante do tupi que habitava soberanamente as praias do Sul do pa\u00eds muito antes da chegada dos europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto o litoral nordestino entrava nos registros da coloniza\u00e7\u00e3o em 1500, o Sul j\u00e1 pulsava sob os passos desse povo \u2018filho do mar e da floresta\u2019, descrito pelos jesu\u00edtas como \u2018o gentio mais am\u00e1vel da Terra\u2019\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro, Vieira reconstr\u00f3i a trajet\u00f3ria dos Carij\u00f3 desde suas origens amaz\u00f4nicas at\u00e9 a costa meridional, articulando a etnologia do s\u00e9culo XIX com cr\u00f4nicas do s\u00e9culo XVI. Mais do que um estudo hist\u00f3rico, a obra se assume como um gesto pol\u00edtico e sens\u00edvel. \u201cEles foram impedidos de escrever a pr\u00f3pria mem\u00f3ria. Sua hist\u00f3ria chegou at\u00e9 n\u00f3s pela voz de quem os dominou\u201d, afirma Vieira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao revisitar essas fontes, o livro subverte a narrativa colonial e constr\u00f3i, com delicadeza e dor, uma hist\u00f3ria dos vencidos, marcada pelo luto de cerca de setenta mil ind\u00edgenas escravizados pelos bandeirantes paulistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Gleison Vieira, o \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d da obra est\u00e1 justamente no enfrentamento desse sil\u00eancio imposto. \u201cO sil\u00eancio dos Carij\u00f3 n\u00e3o \u00e9 vazio. Ele \u00e9 um lamento profundo que ainda ecoa e pede escuta\u201d, diz. Ao romper com o mito da coloniza\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e do \u201cbom selvagem\u201d, o texto revela como a ternura atribu\u00edda a esse povo foi instrumentalizada como armadilha para a viol\u00eancia e a escravid\u00e3o, expondo a face brutal da Conquista da Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de pesquisa, que levou anos, foi marcado por desafios profundos. \u201cPesquisar os Carij\u00f3 foi um ato de amor e escava\u00e7\u00e3o\u201d, relata Vieira. Encontrar fontes ap\u00f3s cinco s\u00e9culos exigiu ler \u201ccontra a corrente\u201d, atravessando documentos coloniais que filtravam e distorciam as vozes ind\u00edgenas. \u201cFoi preciso rasgar a membrana colonial da historiografia para que, entre os estilha\u00e7os da palavra do opressor, a dignidade ind\u00edgena voltasse a brilhar\u201d, afirma o autor, destacando que esta \u00e9 a primeira obra da historiografia brasileira dedicada exclusivamente aos Carij\u00f3 em um \u00fanico comp\u00eandio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da leitura, o autor espera provocar deslocamento e responsabilidade. \u201cQuero que o conforto da hist\u00f3ria oficial se desfa\u00e7a\u201d, afirma. Para ele, o livro n\u00e3o busca apenas informar, mas transformar o olhar do leitor: que, ao caminhar pelas praias do Sul, n\u00e3o se veja apenas a paisagem, mas o rastro de um povo soberano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue o luto se converta em responsabilidade hist\u00f3rica\u201d, conclui Gleison Vieira, reafirmando que o Brasil anterior a 1500 ainda respira e que a terra, finalmente, volta a falar por seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra pode ser adquirida diretamente com o autor por meio das redes sociais: @gleison5930<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro volume da trilogia escrita pelo pesquisador Gleison Vieira re\u00fane pesquisa sobre a hist\u00f3ria dos Carij\u00f3 antes da coloniza\u00e7\u00e3o No pr\u00f3ximo dia 3 de fevereiro, o pesquisador e escritor Gleison Vieira lan\u00e7a o segundo volume do livro Os Carij\u00f3 Vozes da Terra. 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