{"id":4544,"date":"2025-06-26T13:44:59","date_gmt":"2025-06-26T16:44:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=4544"},"modified":"2025-06-26T13:45:00","modified_gmt":"2025-06-26T16:45:00","slug":"brasil-e-o-pais-que-mais-mata-lgbtqiapnno-mundo-1-morte-a-cada-34-horas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=4544","title":{"rendered":"Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata LGBTQIAPN+no mundo: 1 morte a cada 34 horas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">O preconceito e a falta de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores que contribuem para os casos de crimes de \u00f3dio<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 28 de junho \u00e9 comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ e, durante todo o m\u00eas, temas voltados para a comunidade s\u00e3o debatidos com mais intensidade pela sociedade, campanhas publicit\u00e1rias dedicam maior espa\u00e7o e a visibilidade aumenta. Entretanto, a busca por respeito e mais pol\u00edticas p\u00fablicas de combate ao preconceito \u00e9 uma luta di\u00e1ria e constante para garantir direitos e seguran\u00e7a para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o psic\u00f3logo cl\u00ednico Volnei Pinheiro, apesar dos avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei de prote\u00e7\u00e3o, que garante direitos da comunidade LGBTQIAPN+, a realidade \u00e9 de muita desigualdade, discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia, se estendendo \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, al\u00e9m de afetar diretamente a quest\u00e3o profissional. \u201cO acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao atendimento de sa\u00fade, por exemplo, \u00e9 muito precarizado para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+. Temos poucos profissionais de sa\u00fade com treinamento adequado para atender essa comunidade, que tem demandas e necessidades espec\u00edficas. Na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, o preconceito est\u00e1 dentro das institui\u00e7\u00f5es, estruturalmente, em atitudes pouco inclusivas e, at\u00e9 mesmo, na aus\u00eancia do tema em materiais did\u00e1ticos. No \u00e2mbito profissional, essas pessoas tamb\u00e9m passam pelo preconceito. Muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o selecionadas para vagas de trabalho por conta da sua identidade. Quando aceitas, podem passar por uma repress\u00e3o muito grande, mudando sua express\u00e3o para n\u00e3o serem julgadas, n\u00e3o passarem por viol\u00eancia e pela discrimina\u00e7\u00e3o dentro do ambiente de trabalho. Isso refor\u00e7a muito a vulnerabilidade social da comunidade LGBTQIAPN+\u201d, relata o psic\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do preconceito e vulnerabilidades sociais, a viol\u00eancia \u00e9 outra quest\u00e3o alarmante. O Brasil, mesmo com a criminaliza\u00e7\u00e3o da LGBTfobia, em 2019, ainda se mant\u00e9m como um dos pa\u00edses mais perigosos para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+. Os dados sobre viol\u00eancia e mortes refletem uma realidade em que o preconceito se traduz em agress\u00f5es e perda de vidas, exigindo uma aten\u00e7\u00e3o urgente e pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Observat\u00f3rio 2023 de Mortes Violentas de LGBTQIAPN+ no Brasil, divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o pa\u00eds continuou sendo o campe\u00e3o mundial de homic\u00eddios e suic\u00eddios desta popula\u00e7\u00e3o: 257 mortes violentas documentadas, um caso a mais do que o registrado em 2022. Isso corresponde a uma morte a cada 34 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante esclarecer que os n\u00fameros podem ser muito maiores, tendo em vista a subnotifica\u00e7\u00e3o, pois, muitas vezes, \u00e9 omitida a orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade ap\u00f3s o \u00f3bito. Em termos mundiais, tamb\u00e9m n\u00e3o existem informa\u00e7\u00f5es sobre o total de LGBTQIAPN+ mortos relativamente a cada pa\u00eds ou continente, com exce\u00e7\u00e3o de um levantamento dedicado apenas a pessoas transexuais, apontando que, no ano passado, em um total de 35 pa\u00edses documentados, foram assassinados 321 transg\u00eaneros, sendo 100 no Brasil (31%), 52 no M\u00e9xico e 31 nos Estados Unidos. O que confirma a den\u00fancia de que o Brasil \u00e9 o campe\u00e3o de mortes violentas da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, o GGB documentou a morte violenta de 127 travestis e transg\u00eaneros, 118 gays, 9 l\u00e9sbicas e 3 bissexuais, totalizando 257 v\u00edtimas de crimes de \u00f3dio. Esses n\u00fameros, mesmo que subnotificados, refor\u00e7am a urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas efetivas para combater a viol\u00eancia direcionada \u00e0 comunidade LGBTQIAPN+.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o basta apenas aceitar e respeitar uma pessoa LGBTQIAPN+. \u00c9 preciso se posicionar contra as narrativas de \u00f3dio. As leis precisam, n\u00e3o somente prever puni\u00e7\u00f5es, mas responsabilizar de fato as pessoas que agem ferindo a liberdade de exist\u00eancia, violentando e at\u00e9 matando outro ser humano\u201d, afirma Volnei Pinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A luta deve ser de toda sociedade<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma sociedade que pede por justi\u00e7a e igualdade, a necessidade de informa\u00e7\u00e3o e de uni\u00e3o em torno das pautas LGBTQIAPN+ surge como um pilar fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de um futuro mais inclusivo. Os dados sobre a viol\u00eancia f\u00edsica refletem tamb\u00e9m a viol\u00eancia simb\u00f3lica e estrutural, que se enra\u00edza na falta de conhecimento e no preconceito. A desinforma\u00e7\u00e3o alimenta estere\u00f3tipos, fomenta o \u00f3dio e cria barreiras invis\u00edveis, mas poderosas, no acesso a direitos b\u00e1sicos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho e seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Desmistificar e educar sobre os conceitos da diversidade sexual e de g\u00eanero, e apresentar dados concretos sobre a realidade da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ s\u00e3o passos essenciais para desconstruir preconceitos. Escolas, universidades, atendimentos de sa\u00fade, meios de comunica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo as redes sociais t\u00eam a responsabilidade de serem fontes confi\u00e1veis de conhecimento, promovendo o respeito e a compreens\u00e3o. A falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o qualificada sobre sexualidade e g\u00eanero contribui para a invisibilidade e marginaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a informa\u00e7\u00e3o sozinha n\u00e3o basta. \u201c\u00c9 a uni\u00e3o da sociedade que pavimenta o caminho para a mudan\u00e7a efetiva. A luta por direitos n\u00e3o deve ser vista como uma causa exclusiva de uma comunidade, mas sim como uma causa de todos\u201d, acrescenta o profissional. Portanto, quando cidad\u00e3os heterossexuais e cisg\u00eaneros se juntam \u00e0 pauta, o movimento ganha mais for\u00e7a, representatividade e legitimidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrabalhar com a sociedade em geral \u00e9 compreender que a gente precisa construir uma sociedade mais inclusiva para o futuro. As pessoas ainda est\u00e3o enrijecidas nos seus preconceitos, nas suas cren\u00e7as e nas suas ideias. Ent\u00e3o, para que a gente possa realmente criar uma sociedade mais comunicativa, mais consciente e comunicativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es da comunidade LGBTQIAPN+, \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar da base. Ent\u00e3o, isso come\u00e7a na educa\u00e7\u00e3o\u201d, finaliza Volnei.<\/p>\n\n\n\n<p>No atual cen\u00e1rio brasileiro, os debates sobre direitos fundamentais s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia e a uni\u00e3o em torno das pautas LGBTQIAPN+ \u00e9 mais urgente do que nunca. Informar-se e agir em conjunto n\u00e3o \u00e9 apenas um ato de empatia, mas uma necessidade para construir uma sociedade verdadeiramente justa, equitativa e humana&nbsp;para&nbsp;todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O preconceito e a falta de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores que contribuem para os casos de crimes de \u00f3dio No dia 28 de junho \u00e9 comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ e, durante todo o m\u00eas, temas voltados para a comunidade s\u00e3o debatidos com mais intensidade pela sociedade, campanhas publicit\u00e1rias dedicam maior espa\u00e7o e a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4545,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29,430],"tags":[],"class_list":["post-4544","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4544"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4546,"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4544\/revisions\/4546"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioparanaense.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}