{"id":3103,"date":"2024-08-06T15:27:21","date_gmt":"2024-08-06T18:27:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=3103"},"modified":"2024-08-06T15:27:58","modified_gmt":"2024-08-06T18:27:58","slug":"prevencao-na-saude-desospitalizacao-e-alta-segura-beneficios-para-todo-o-ecossistema-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioparanaense.com\/?p=3103","title":{"rendered":"Preven\u00e7\u00e3o na sa\u00fade, Desospitaliza\u00e7\u00e3o e alta segura: benef\u00edcios para todo o ecossistema de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">*Rodrigo Rodrigues<\/p>\n\n\n\n<p>Seria maravilhoso passarmos por esta vida sem precisarmos de cuidados m\u00e9dicos, de uma eventual interna\u00e7\u00e3o para uma cirurgia ou para um tratamento cl\u00ednico. H\u00e1 alguns anos, nossos pais evitavam hospitais e pronto-socorros, e n\u00e3o era incomum os tratamentos medicinais dos av\u00f3s prevalecerem. Quem nunca tomou aquele ch\u00e1 feito pela bisa ou pela av\u00f3, ou tomou um xarope de receita de fam\u00edlia?<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas doen\u00e7as eram tratadas com base em receitas que eram passadas por gera\u00e7\u00f5es, mesmo que nem sempre tivessem um resultado eficaz. Ainda assim, eram evitadas as idas aos hospitais. Com o passar do tempo, essa cultura de tratamentos caseiros foi se perdendo, dando lugar e origem ao tratamento especializado nos Prontos-Socorros (PS).<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, n\u00e3o \u00e9 incomum encontrarmos filas enormes para a triagem nos PSs (p\u00fablicos ou privados), seguidas de uma nova espera para o atendimento, o que faz com que os pacientes fiquem horas aguardando por um diagn\u00f3stico. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo aqui n\u00e3o \u00e9 criticar a forma como as doen\u00e7as s\u00e3o conduzidas na fase aguda, mas propor uma reflex\u00e3o sobre como lidamos com a preven\u00e7\u00e3o, muitas vezes negligenciada, e o processo de desospitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia, a falta de preven\u00e7\u00e3o pode acarretar no aumento de interna\u00e7\u00f5es oriundas do PS. Segundo a Anahp (quadro abaixo), esse n\u00famero gira em torno de 11% dos atendimentos. Nesse sentido, podemos perceber que os cuidados com a sa\u00fade em nosso dia a dia refletem exponencialmente no volume de atendimentos nos hospitais (p\u00fablicos ou privados), desencadeando uma s\u00e9rie de fatores que comprometem todo o ecossistema.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"446\" height=\"233\" src=\"https:\/\/diarioparanaense.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Imagem1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3105\" srcset=\"https:\/\/diarioparanaense.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Imagem1.png 446w, https:\/\/diarioparanaense.com\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Imagem1-300x157.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O principal fator est\u00e1 relacionado \u00e0 disponibilidade dos leitos hospitalares que, al\u00e9m da urg\u00eancia\/emerg\u00eancia, precisam atender \u00e0s cirurgias eletivas e dar conta das interna\u00e7\u00f5es de menor complexidade oriundas do PS. Pois \u00e9, sejam bem-vindos ao mundo da gest\u00e3o hospitalar. Diariamente, precisamos equilibrar esses pratos para evitarmos um colapso nos atendimentos e muitas vezes a insatisfa\u00e7\u00e3o pela demora no atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez voc\u00ea esteja se perguntando: se o tema \u00e9 desospitaliza\u00e7\u00e3o, por que come\u00e7ar pelo Pronto-Socorro? A resposta \u00e9 simples: essa \u00e9 a \u00fanica demanda imprevis\u00edvel no atendimento m\u00e9dico hospitalar, as demais s\u00e3o eletivas e controladas. E sim, voc\u00ea pode ser um dos milhares de pacientes respons\u00e1veis pela alta demanda de interna\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o mesmo conceito de quando reclamamos todos os dias do tr\u00e2nsito, por\u00e9m, n\u00e3o deixamos o carro em casa um dia sequer do ano. Fazemos parte disso e o incentivamos, de forma similar ao que acontece com a demanda hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que o tr\u00e2nsito n\u00e3o pode ser comparado \u00e0 sa\u00fade. Contudo, quando fazemos a revis\u00e3o correta do ve\u00edculo, colocamos \u00f3leos, aditivos e mantemos o carro em boas condi\u00e7\u00f5es para que ele n\u00e3o coloque nossa vida em risco, quebrando nas avenidas atrapalhando o tr\u00e2nsito, acarretando outros problemas. Aqui cabe a reflex\u00e3o: cuidamos melhor dos nossos carros do que de nossa sa\u00fade? Chico Buarque j\u00e1 dizia: \u201cMorreu na contram\u00e3o atrapalhando o tr\u00e2nsito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse cen\u00e1rio repleto de interna\u00e7\u00f5es surgem as altas taxas de ocupa\u00e7\u00e3o nos hospitais, que precisam operar invariavelmente entre 70% e 80% para se manterem bem, gerarem receita e conseguirem dar vaz\u00e3o a toda essa demanda com qualidade percebida. Contudo, quando vemos as UTIs com taxas acima de 90% ou at\u00e9 mesmo em <em>overbooking<\/em>, come\u00e7amos a perceber a necessidade de desospitalizar diversos casos que eventualmente poderiam ser tratados, ou melhor, cuidados em outros equipamentos de sa\u00fade de forma mais adequada.<\/p>\n\n\n\n<p>A desospitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ato de reduzir o tempo de perman\u00eancia em uma unidade hospitalar, mas uma metodologia que vem sendo cada vez mais adotada por hospitais e profissionais de sa\u00fade. Trata-se de uma conscientiza\u00e7\u00e3o para melhor utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos dispon\u00edveis nas redes de atendimento m\u00e9dico hospitalar, sejam elas p\u00fablicas ou privadas. As fam\u00edlias muitas vezes pressionam os hospitais, equipes m\u00e9dicas e operadoras de sa\u00fade para manterem seus familiares sob cuidados em um hospital geral e acabam ganhando essa queda de bra\u00e7o sob fortes contendas ou simples amea\u00e7a de judicializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, nem sempre essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica para o paciente. Manter o familiar sob cuidados ou per\u00edodos desnecess\u00e1rios no ambiente hospitalar agudo poder\u00e1 gerar novas infec\u00e7\u00f5es, complica\u00e7\u00f5es e, consequentemente, reinterna\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a equipe efetivamente expede a alta hospitalar, o paciente poder\u00e1 voltar bem para casa com cuidados m\u00ednimos. Em diversos casos, precisar\u00e1 ainda de um per\u00edodo de reabilita\u00e7\u00e3o para otimizar sua sa\u00fade e voltar melhor para o seio familiar e sua vida cotidiana. Talvez precise efetivamente de <em>home care (<\/em>cuidados <em>a<\/em>ssistenciais em casa).<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o importante \u00e9 que a desospitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma maneira mais humanizada de prosseguir o tratamento. Trata-se de uma tend\u00eancia mundial que&nbsp;se baseia na \u00e9tica e no respeito pela dignidade do ser humano, uma vez que o ambiente hospitalar por si s\u00f3 pode tornar a recupera\u00e7\u00e3o mais lenta e triste.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante frisar que o processo de desospitaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 presente em hospitais de transi\u00e7\u00e3o de cuidados que, por sua vez, seguem os princ\u00edpios do Institute of Medicine (IOM), que s\u00e3o assist\u00eancia focada no paciente, prover assist\u00eancia no tempo adequado, efici\u00eancia, equidade, efetividade e seguran\u00e7a do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>A desospitaliza\u00e7\u00e3o precisa ser encarada como um ato leg\u00edtimo da melhor decis\u00e3o, para o destino ou lugar para o paciente, de forma eficaz, pois, quando bem indicada, mostrar\u00e1 um resultado cl\u00ednico positivo na sa\u00fade e um alento para a fam\u00edlia que vive todo esse momento de forma intensa. Entender o que \u00e9 melhor para o seu familiar nem sempre ser\u00e1 uma escolha f\u00e1cil, mas \u00e9 poss\u00edvel ser mais consciente e eficaz.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Rodrigo Rodrigues \u00e9 Diretor de Relacionamentos da YUNA, institui\u00e7\u00e3o especializada em reabilita\u00e7\u00e3o e cuidados paliativos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Rodrigo Rodrigues Seria maravilhoso passarmos por esta vida sem precisarmos de cuidados m\u00e9dicos, de uma eventual interna\u00e7\u00e3o para uma cirurgia ou para um tratamento cl\u00ednico. H\u00e1 alguns anos, nossos pais evitavam hospitais e pronto-socorros, e n\u00e3o era incomum os tratamentos medicinais dos av\u00f3s prevalecerem. 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